O Papa Francisco alertou para a solidão e o “analfabetismo espiritual” na sociedade contemporânea, durante a Missa de Pentecostes a que presidiu na Basílica de São Pedro, neste domingo, 15.

Diante de centenas de pessoas, incluindo vários dos seus mais diretos colaboradores, o Papa elencou uma série de sinais da “condição de órfãos” de muitos homens e mulheres, como a “a solidão interior”, mesmo no meio de uma multidão, e que se pode tornar “tristeza existencial”.

Francisco apontou ainda um “analfabetismo espiritual generalizado”, que torna as pessoas “incapazes” de rezar, e criticou uma “suposta autonomia de Deus” que aparece, no entanto, “acompanhada por uma certa nostalgia da sua proximidade”.

A homilia observou ainda a dificuldade que existe em acreditar na vida eterna e de “reconhecer o outro como irmão”.

“A missão de Jesus, que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objetivo essencial: reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos”, precisou o Papa.

Francisco falou desta “condição de filhos” como o ADN de cada ser humano, que a festa de Pentecostes vem sublinhar, porque o Espírito provoca “uma nova dinâmica de fraternidade”.

“Através do Irmão universal que é Jesus podemos relacionar-nos de maneira nova com os outros: já não como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo”, sustentou o Papa.

O pontífice recordou depois a “presença maternal” de Maria no Cenáculo, onde os discípulos estavam reunidos após a morte de Jesus.

“É a Mãe da Igreja. À sua intercessão, confiamos de maneira especial todos os cristãos, as famílias e as comunidades que, neste momento, têm mais necessidade da força do Espírito Paráclito, Defensor e Consolador, Espírito de verdade, liberdade e paz”, disse.

Após a homilia, em armênio, rezou-se pelos cristãos que vivem situações de perseguição.

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