Procissão de Ramos /Foto: Canção Nova – Wesley Almeida

O Domingo de Ramos – que será vivido neste domingo, 25, abre a Semana Santa com a entrada triunfal de Jesus sendo saudado com ramos e palmas. “É praticamente a única vez que Jesus se permite ser saudado e chamado de rei”, observa padre Márcio. A situação, ainda que atípica quando comparada com os inúmeros relatos bíblicos de pedidos de silêncio de Jesus quanto a sua identidade, são ensinamentos sobre humildade, de acordo com o sacerdote. “Ele é saudado como rei, mas ele vem humilde, não vem em um cavalo, vem em um jumento”, relembra. “Nesse dia, Jesus permite ser saudado pelo povo e, vamos escutar que o mesmo povo pede sua crucificação”, relata Márcio. Segundo o sacerdote, as leituras bíblicas da celebração dominical chamam a atenção do cristão para comportamentos semelhantes ao daquele povo. “Muitas vezes nós fazemos isso também. Nós saudamos Cristo como rei, nós o louvamos, porque ele é rei mesmo, é humilde, é santo. E passa um pouco de tempo já gritamos: crucifica-o. Então, esta inconstância (…) está muito presente na nossa vida de cristão: nós louvamos e bendizemos, e aí passa um pouquinho de tempo e esquecemos as maravilhas que Jesus realizou”, comenta padre Márcio.

Missa da Ceia do Senhor – Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

  De acordo com o sacerdote, a Quinta-feira Santa é especial, pois revela dois grandes atos de rebaixamento e de amor de Jesus para com o seu povo. A primeira é a instituição da eucaristia – quando Cristo se faz presente em um pedaço de pão e o partilha com os seus discípulos. O segundo ato é o do Lava-pés – momento em que Jesus humildemente lava os pés de seus discípulos.   Na manhã da próxima quinta-feira, 28, os bispos se reúnem com o seu clero na tradicional Missa do Crisma. “Ali o clero renova seu compromisso com o povo e com a Igreja e, naquela mesma celebração, o bispo abençoa os óleos dos catecúmenos, dos enfermos e do crisma que serão usados durante o ano”, conta padre Márcio. No período da noite, a Santa Missa da Ceia do Senhor traz a cerimônia do Lava-pés. “É neste momento que Jesus institui o sacramento do amor, da caridade, do amor ao próximo. Com esse gesto de lavar os pés dos seus discípulos, Ele, o Todo Poderoso, o Santo, se rebaixa mais uma vez”, relembra. “Ele [Jesus] se rebaixava para resgatar os pecadores”, afirma padre Márcio que interpreta a ação de Jesus como um ensinamento, um legado de amor deixado à humanidade. “Os apóstolos, os homens de Deus, servos, sacerdotes e bispos são chamados a viver esse serviço ao próximo”.

Sexta-feira Santa

Continuidade da celebração da Ceia do Senhor, a Sexta-feira Santa é o dia de recordar a prisão e o sofrimento da paixão de Jesus. Na celebração da função, como é chamada, há os sinais, como a cruz velada. “Na quinta semana da quaresma a Igreja convida a cobrir as imagens, e nesse dia é desvelado aos poucos a cruz, para mostrar aos poucos o amor que Cristo teve e tem para com a humanidade. Ali é feita a Adoração da Santa Cruz”, contou padre Márcio.   Segundo o sacerdote, o momento forte é a Adoração da Santa Cruz, quando os cristãos são convidados a olhá-la, contemplar a paixão de Jesus e se unirem a Cristo nos sofrimentos. “Sabemos que Cristo sofreu, mas a humanidade sofre também. Esperamos que cada cristão ao olhar para a cruz valorize, primeiro, o sofrimento de Jesus, dê graças a Deus pelo sofrimento e, pela cruz, que ele tomou por amor, apresente também a Ele suas dores”.

Vigília Pascal

Jesus Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Diante dessa informação, a Igreja comemora na noite de sábado (período considerado como o início do terceiro dia) a Vigília Pascal. Nesse dia a celebração é composta por nove leituras – ou menos, dependendo das realidades paroquiais e, de acordo com padre Márcio, é uma liturgia que relembra as profecias do Antigo Testamento e o cumprimento da promessa do Messias com Jesus Cristo. “Na Vigília Pascal temos a bênção do Círio, que representa o Cristo ressuscitado: Ele é a luz do mundo e ilumina as trevas. (…) Além da bênção do Círio temos também a Liturgia Batismal – que relembra  Jesus mergulhado na morte e ressuscitado”, afirma o sacerdote. O sábado é, segundo padre Márcio, de muita comemoração, Igreja ornamentada, cânticos, orações, batismo e renovação batismal. “É quando o fiel renova a condição de também ser sal da terra e luz do mundo”.  

Páscoa

A Páscoa é considerada a maior festa da Igreja. A explicação, de acordo com padre Márcio, é que a data simboliza para os cristãos o resumo da fé – Jesus Cristo morreu e ressuscitou. “Se haviam dúvidas a respeito da vida eterna, Jesus Cristo as sanou através da promessa (que Ele cumpriu) de que morreria e ressuscitaria”, afirmou. A Páscoa é tão importante para os cristãos, que a Igreja comemora no primeiro dia da semana – que Jesus ressuscitou – a Páscoa do Senhor. Segundo padre Márcio, ainda que a festa solene seja comemorada uma vez ao ano, para o catolicismo todo o domingo é dia de Páscoa. “No calvário em Jerusalém, Deus se manifestou amando-nos e, amando-nos, sofrendo naquela cruz, não parou na morte. Amando-nos, ressuscitou e está vivo. Por isso, na Páscoa, comemoramos a vitória de Jesus, a ressurreição. Todo cristão tem o dever, e mais que isso, a gratidão de comemorar vida nova. Sendo um homem novo, o cristão poderá participar com Cristo da vida eterna”, finalizou o sacerdote.

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